Matéria escrita por Victorino Netto para o site Guia Assis
A maior polêmica do futebol nacional nos últimos dias é o caso envolvendo a partida Toledo e Marcílio Dias pela Série C do Campeonato Brasileiro. O jogo que terminou empatado em 0x0 gerou grandes controvérsias após o volante Rafinha (do Toledo) ter confirmado para uma emissora de rádio que as equipes se acomodaram com o empate, já que o resultado classificava ambos os times:
“Olha, eu acho que, para a torcida, o que aconteceu não é bonito, mas a gente sabe que, se a gente não faz isso, acontece o contrário, e eles iam fazer isso com a gente... Então, a gente tem de fazer isso daí”, declarou o jogador, que ainda foi além: “Eu acho que é feio, mas tem de pensar no nosso futuro, é na competição agora mais pra frente aí. Acho que é do futebol. Se a gente não faz isso, eles iam fazer com a gente. Mas acontece, acho que é bola pra frente. E a gente é primeiro do grupo. E é coisa do futebol que vai acontecer sempre, não é a primeira vez nem a última vez que vai acontecer. Acho que é o grupo, né, todos nós jogadores. Conversamos aí com os jogadores do Marcílio, entre a gente. A gente sabia que a gente ia classificar. Acho que, como eu disse, não tem nem o que falar. É feio, mas tem que pensar no nosso futuro, na seqüência da competição. Se a gente perde o jogo, a gente tá fora. E daí tem pai de família aqui dentro que tem família pra cuidar e, acho que é isso daí. A gente tem que pensar no nosso futuro”.
Em caso de vitória de alguma das agremiações, o derrotado seria eliminado, o que revoltou as equipes do Inter de Santa Maria (RS) e Engenheiro Beltrão (PR) que também brigavam pela vaga e agora esperam do STJD uma punição para os envolvidos. Rafinha está proibido de falar com a imprensa, além de estar ameaçado de ser banido do futebol. Para o técnico do Toledo, Leandro Campos, que isentou o atleta da culpa, a responsabilidade é dos repórteres locais que cobriam o jogo no último domingo: “É um excelente atleta, um excelente garoto, que por ser jovem e inexperiente, falou de situações que não se expõem assim, e que não foram verdadeiras. Um repórter tendencioso induziu ele a falar aquelas coisas, e criou um problema seríssimo para o clube e para todos os profissionais que aqui trabalham, que primam pela honestidade. O Rafinha foi inocente, quem viu o jogo sabe que a partida foi muito disputada, ninguém combinou nada”, assegurou o treinador.
Apesar das declarações do atleta, em nenhum momento o jogador assume claramente que ambas as equipes tenham arranjado o resultado. Embora se subentenda isso!!! O fato é que historicamente o futebol já assistiu casos como esse inúmeras vezes, inclusive em Copas do Mundo e nem por isso alguma coisa foi feita...
No mundial de 1974, a Alemanha Ocidental (sede do torneio e já classificada) entregou o ouro na última rodada p/ Alemanha Oriental... Com isso ficou em segundo lugar do grupo, fugindo de Brasil, Argentina e Holanda na fase seguinte p/ enfrentar Polônia, Suécia e Iugoslávia... Além de dar uma forcinha p/ os compatriotas orientais!!! Quatro anos depois, em 78, aconteceu a histórica entregada do Peru contra a Argentina, que até hoje permanece obscura e que rendeu ao Brasil o título de “campão moral”. Em 82, a Áustria (já classificada) facilitou o jogo para os compatriotas da Alemanha Ocidental (que disputava a vaga com a Argélia) na última rodada da 1ª fase... Com isso fugiu de um grupo com as potências Inglaterra e Espanha para enfrentar uma mais simples, com França e Irlanda do Norte... Porém, os austríacos acabaram se dando mal, já que foram eliminados pela França enquanto os alemães chegariam a final!!!
Ainda na década de 80, explodiu na Itália o escândalo da loteria esportiva, envolvendo clubes, atletas e dirigentes na fabricação de resultados. Na década de 90, esse fenômeno voltaria a ocorrer novamente no país, assim como na Inglaterra, Alemanha e Portugal. No Brasil, em 2005, explodiu o caso “Edílson Pereira da Silva”, que puniu o árbitro (no Brasil sempre é preciso um bode expiatório), mas não investigou outros envolvidos. Naquele ano, o polêmico jogo que decidiu o campeonato brasileiro envolvendo Corinthians e Inter teve direito a pênalti não marcado para os gaúchos, a conseqüente e injusta expulsão do Tinga, além de gravações polêmicas de escutas telefônicas envolvendo do ex-presidente alvinegro, Alberto Dualib. Mas nem por isso alguma coisa foi feita. Aliás, alguém aí se lembrava de algum desses episódios?
No Campeonato Paulista da Série A2 deste ano, Mogi Mirim e Oeste se envolveram em uma polêmica parecida pelo quadrangular final da competição. Um empate bastava para as duas equipes conseguirem o acesso e por isso os dois times seguraram o placar até o apito final. O resultado prejudicou o São Bento e o Atlético, ambos de Sorocaba, que também lutavam pelo acesso. Porém, foi relatado na súmula da partida que os treinadores orientaram seus atletas a segurar o resultado, o que levou o caso a julgamento. Porém, o Tribunal da Federação Paulista de Futebol determinou que fosse disputada uma nova partida, desta vez vencida pelo Oeste. Mas o placar não alterou o resultado final e as duas equipes subiram para a elite paulista.
Que o leitor não pense que concordo com esse tipo de atitude. Pelo contrário. Apenas acho que isso é um fato do futebol, propagado pela imprensa esportiva (que alega fazer seu papel). Ainda mais em se tratando da obscura Série C, dos pequenos Toledo e Marcílio Dias, do insignificante Rafinha... Ninguém liga se a terceira divisão está parada, se as equipes serão eliminadas, se o atleta será banido... Mas e se fosse com seu time?
É muito mais fácil fazer notícia em cima disso (justificando estar trabalhando) do que investigar a influência da loteria esportiva ou dos apostadores no futebol atual... Do capitalismo no esporte... Mas isso ninguém quer fazer!!!
E é por isso que me pergunto: Do que adianta fazer tanto barulho (leia-se sensacionalismo), se tudo vai acabar em pizza?!?!
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O bom e velho "jogo de comadres"
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Enquete Blogando Bola
Qual o futuro do Santa Cruz?
Sobe para a série B- 26%
Continua na Série C- 12%
Desce para a Série D- 72%
Está difícil. Com uma herança nada grata deixa por Fito Neves, Bagé, aos trancos e barrancos (e com o apoio da torcida), vem arrastando o Santa Cruz na Série C. Só resta saber aonde isso vai parar: Série B, C ou D. Sendo esse último, o provável destino segundo os leitores do Blogando Bola.
Equipe Blogando Bola
Assinar:
Postagens (Atom)
