terça-feira, 22 de julho de 2008

Surpreso com Dunga, Ilsinho vê seleção "com bagagem" em Pequim

Matéria escrita por Carlos Padeiro para o site Pelé.net

Há um ano no futebol ucraniano, defendendo o Shakhtar Donetsk, Ilsinho foi esquecido pela seleção brasileira. Entretanto, naquela que pode ser considerada a convocação mais importante da 'era Dunga' até o momento, o ex-jogador do São Paulo voltou a ser lembrado e estará em Pequim para disputar o Jogos Olímpicos em agosto.

O atleta de 22 anos admite ter levado um susto quando uma pessoa da CBF ligou para comunicar que ele faria parte da seleção olímpica que buscará a inédita medalha de ouro para o futebol pentacampeão mundial. O motivo: não era chamado por Dunga desde março de 2007.

"Fiquei surpreso. Eu não estava esperando, porque não tinha sido convocado para os outros jogos da seleção olímpica. Tinha só uma 'fezinha' pela minha idade, e fiquei muito feliz com a convocação", revelou, em entrevista exclusiva ao Pelé.Net. "Acho uma seleção super-forte, com jogadores experientes e com bagagem para disputar qualquer campeonato."

Satisfeito no país do leste europeu, Ilsinho conta que teve uma rápida adaptação, principalmente com a ajuda dos outros brasileiros que atuam no Shakhtar, como Jadson, Fernandinho, Brandão e Willian.

O jogador natural de São Bernardo do Campo disse ainda que não guarda mágoas do Palmeiras, clube que o revelou, mas pouco o aproveitou no time profissional. Por isso, é mais grato ao São Paulo, que lhe deu a oportunidade de ser titular.

Ele também tem o objetivo de atuar em um grande centro do Velho Continente, como a Espanha, já que o Sevilla demonstrou interesse na sua contratação.

Leia a entrevista exclusiva de Ilsinho na íntegra:

Pelé.Net - Você achou que não seria mais convocado porque está 'escondido' na Ucrânia?
Ilsinho - Não acredito nisso não. O Dunga sempre olha pra cá e convocou vários jogadores que atuam ou atuavam aqui, como o Elano, o Fernandinho, o Vágner Love. Acho que ele não deve ver os jogos e ouvir sobre a gente com a mesma freqüência que nos outros lugares da Europa, mas dá oportunidades a todos. E aqui eu tive muita sorte, porque desde que cheguei fui titular, depois de uma semana de treino. Mudei um pouco de posição, estou jogando mais no meio e caio pelas pontas, mas não será problema atuar como lateral na seleção.
Pelé.Net - E como você explica o fato de o Dunga ter ficado mais de um ano sem te convocar?
Ilsinho - Não sei te responder essa pergunta. Minha última convocação tinha sido para os amistosos contra o Chile e Gana [março de 2007], por isso fiquei surpreso. Acho que ele deu oportunidade a outros jogadores e depois resolveu me chamar para as Olimpíadas. A pessoa mais indicada para responder isso é o próprio Dunga.
Pelé.Net - Qual é a sua expectativa para as Olimpíadas. Acredita que Ronaldinho Gaúcho estará mais motivado agora que foi contratado pelo Milan?
Ilsinho - Vejo uma seleção muito forte, que vai entrar para brigar pela medalha de ouro. Em relação ao Ronaldinho, com certeza ele vai querer mostrar agora, mais do que nunca, que pode voltar a ser um dos melhores do mundo.
Pelé.Net - Como foi sua adaptação à Ucrânia. Arrepende-se de ter deixado o Brasil?
Ilsinho - Como algumas pessoas me disseram quando surgiu a proposta de vir para cá, às vezes você tem poucas oportunidades na vida, e eu preferi não perder esta. Preferi arriscar e fiz a escolha certa. É um lugar muito diferente: a língua, a cultura, o jeito de se portar das pessoas, o clima... Mas foi fácil se adaptar com a ajuda do pessoal aqui. Quase todo mundo fala inglês, eu trago comida do Brasil, estou com minha noiva, e o clube tem uma baita estrutura e um poder financeiro muito grande. O presidente gosta do futebol brasileiro, e o clube busca crescer para dar visibilidade à cidade.
Pelé.Net - No Brasil, surgiu a notícia de que você poderia trocar o Shakhtar pelo Sevilla, da Espanha. Houve alguma proposta, e o seu objetivo é ir para um centro maior da Europa?
Ilsinho - Meu procurador me falou sobre o interesse do Sevilla, e depois teve a confirmação de que houve a proposta. Mas o presidente não quis me vender, e não sei se as conversas ainda continuam. Mas com certeza, como o próprio técnico diz por aqui, ninguém quer ficar aqui pra sempre, e tenho esse objetivo de ir para um lugar com maior visibilidade. A própria Liga dos Campeões nos proporciona isso, quando enfrentamos times de grandes centros do futebol europeu e podemos aparecer mais.
Pelé.Net - Hoje você é mais grato ao São Paulo ou ao Palmeiras? Existe alguma mágoa em relação à sua saída do Palmeiras?
Ilsinho - Isso já é uma página virada na minha vida, e não tenho nenhum problema com a entidade Palmeiras e com os torcedores. Tive alguns problemas com pessoas da diretoria quando saí de lá [em 2006], mas é um caso passado. Hoje voltaria ao Palmeiras sem nenhuma mágoa. Mas com certeza tenho mais gratidão ao São Paulo, que acreditou em mim, abriu as portas e deu a oportunidade de eu jogar. Devo muito às pessoas que estão lá e ao Muricy.
Pelé.Net - Alguns jogadores voltaram da Ucrânia recentemente? Isso pode acontecer com você, ou pretende ficar por muito tempo na Europa?
Ilsinho - Tudo pode acontecer, não sei como vai ser meu futuro. Posso ficar aqui até o término do meu contrato, em dezembro de 2012. Posso sair depois da Liga dos Campeões para outro time da Europa, e não descarto voltar ao Brasil também, mas não tive nenhuma proposta até o momento, só essa do Sevilla.

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