sexta-feira, 11 de julho de 2008

Quando eles vão crescer?

Por Fernando Barros


Nessa semana o Arsenal, anunciou a compra do francês Samir Nasri, que que assumia o posto de ídolo do Olympique de Marselha, principalmente após a saída de Ribéry para o Bayern de Munique. No entanto, o que mais chamou a atenção nessa notícia não foi a aquisição de mais uma das maiores promessas do futebol francês ou a quantia que envolveu a transferência (20 milhões de euros, cerca de R$ 50 milhões), mas sim, da insistente política do Arsenal em trazer jogadores jovens e de pouca “rodagem”.


O ‘novo Zidane’, alardearam os mais entusiastas. Não é pra tanto, o gênio francês possuía um futebol que está a anos-luz do que, até então, apresentou o jovem meia. Mas tudo bem, quando a imprensa quer satisfazer uma torcida, consegue plantar as notícias mais fantasiosas. O grande problema é que, mesmo que apresentasse características semelhantes ao ex-craque marselhês, o atleta tem apenas 20 anos. Não, o problema não é a idade especificamente de Nasri, todos querem contratar bons jogadores jovens, o problema é que o Arsenal abusa disso.




Nos últimos anos, essa cena foi mais que corriqueira: a cada Rosicky (jogador experiente) que o Arsenal contratava, vinham três Fàbregas (jovem promessa). Que Arsene Wenger é um ótimo técnico, ninguém duvida, e que ele é ótimo trabalhando com jogadores jovens, também. Mas, com tantos jovens no elenco e pouca “bagagem”, o time fica sempre marcado como aquele que ‘ia chegar lá’. Faz um bom tempo que o Arsenal não levanta o troféu da Premier League (o último foi na temporada 2003/04), e talvez, seja a falta de experiência que esteja faltando para que as promessas amadureçam mais rápido e que essa política de contratações se reverta em bons resultados.


No último Campeonato Inglês, por exemplo, os ‘Gunners’ lideraram por boa parte do tempo, porém, era consenso dentro da imprensa especializada que faltava ‘chegada’ ao time. Na hora do aperto, a quem os jovens iam recorrer. Ao inexpressivo Hleb (que se encontra em negociações como Barcelona)? Ao inconstante Rosicky? Isso só pra citar os pouquíssimos exemplos de jogadores experientes no clube.


Talvez seja a hora do técnico francês olhar para seu passado recente e perceber que quando o clube londrino apostou em jogadores mais experientes (não necessariamente com mais de 32 anos), o clube viveu o melhor período de sua história, passando mais de um ano invicto na Inglaterra e sendo apelidado de ‘Os Invencíveis’. Talvez seja melhor torrar os milhões de euros gastos nas contratações de Nasri, Walcott e Van Persie em atletas que já possuam uma carreira estável. Foi assim quando o clube apostou em Bergkamp, Wiltord e Pires e viveu seus ‘anos dourados’. Talvez não sejam os jovens que precisam ‘crescer’, mas sim a direção, que ainda não percebeu que só trazer promessas,vão conquistar muitos títulos. O longo prazo do Arsenal é extremamente longo, e a torcida já deve ficar impaciente.

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