terça-feira, 6 de maio de 2008

"Amigo do Pato", atacante Wellington tenta emplacar pelo Náutico

Matéria escrita por Márcio Markman para o site Pelé.net

Revelado nas divisões de base do Internacional, o atacante Wellington trilha um início na carreira profissional bem diferente de um certo companheiro de ataque nas equipes juvenil e júnior do clube gaúcho. Depois de uma passagem apagada pelo São Caetano, quando não conseguiu balançar as redes após algumas chances, o garoto de 20 anos já se tornou um dos ídolos da torcida do Náutico, equipe que defende desde o início da temporada.

O companheiro de divisões de base em questão é ninguém menos que o fenômeno Alexandre Pato, hoje no Milan. Ao lado do craque do futebol italiano e da seleção brasileira olímpica, Wellington conquistou diversos títulos em torneios amadores e pôde conferir de perto o que o mundo inteiro começa a descobrir. "O Pato é realmente diferenciado. Joga muito, tem muita qualidade. Faz coisas que ninguém imagina e é muito oportunista", comentou o camisa 9 do Náutico.

Entre os títulos conquistados pela base do Internacional, Wellington relembra de um em especial. Era o ano de 2005 e o jovem talento mais badalado do futebol gaúcho era o meia Anderson, do Grêmio, que posteriormente se tornaria em um dos heróis da 'Batalha dos Aflitos', justamente o jogo em que o Grêmio conseguiu uma vitória incrível sobre o Náutico e a volta à Série A do Campeonato Brasileiro. Suspenso no time profissional, o hoje jogador do Manchester United, da Inglaterra, desceu para o time de juniores, para reforçar o tricolor na decisão do Campeonato Gaúcho daquele ano. Pois não adiantou. Deu Colorado, com gols de Pato e Wellington.

"Aquela final foi inesquecível. A presença do Anderson, que era a maior revelação do futebol brasileiro naquele ano, chamou muito a atenção para aquela decisão. Foi um jogaço e nós conseguimos vencer por 3 a 2, com dois gols do Pato e um meu", relembrou Wellington.

Apesar da distância do amigo de divisões de base, Wellington sonha com um futuro parecido. Como qualquer jovem jogador brasileiro, o atacante sonha com uma transferência para a Europa e, se possível, para a Itália, onde atuaria contra ou, quem sabe, com Pato. "Ah, eu ainda sou muito novo e estou começando agora. Quem sabe eu não consiga ir bem e possa atuar ao lado dele?", questiona.

E olha que esse sonho não parece assim tão distante. No jogo de ida pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil, quando o Náutico derrotou o Atlético/MG, por 3 a 2, nos Aflitos, observadores do Palermo, da Série A italiana, estiveram em Recife para acompanhar o desempenho do jovem atacante. Naquela partida, Wellington não marcou, mas foi decisivo para o resultado final, com duas assistências para gols do time pernambucano. Dias depois, Internacional e Náutico definiram uma multa rescisória de três milhões de euros para uma negociação do atleta com algum clube do exterior.


De opção a ídolo

Quando chegou ao Náutico, no mês de fevereiro, quando o Campeonato Pernambucano de 2008 já se encontrava em andamento, o atacante Wellington surgia apenas como uma opção dentro do grupo. Afinal, o clube pernambucano contava com o titular há quase três temporadas, Felipe, o experiente recém-contratado, Warley, o eterno ídolo da torcida, Kuki, e a aposta de substituto para o uruguaio Acosta, o colombiano Ricardo Laborde.

Como quinto jogador do grupo, Wellington teve que esperar a sua vez. A regularização de Laborde demorou a sair, Warley não se firmou, Kuki demorou para entrar em forma e Felipe teve uma série de problemas físicos. Não restou outra alternativa ao técnico Roberto Fernandes a não ser recorrer ao jogador grandalhão vindo do Internacional por conta de uma indicação do superintendente de Futebol, o ex-jogador Marcelo Sangaletti.

Já nos primeiros jogos, vieram os primeiros gols. Não me preocupo em ser titular agora. Estou me entrosando com o grupo e espero estar sempre à disposição para ajudar ao Náutico", falava com humildade o atleta. Com a volta das primeiras opções, Fernandes ainda voltou a deixar o garoto de 20 anos como opção para o banco, mas o retorno ao time titular com mais gols marcados convenceram o treinador de que não havia outro lugar para Wellington que não fosse o time titular.

Atualmente, o paulista de Ourinhos, de sotaque puramente gaúcho, é titular absoluto. Mesmo tendo atuado em menos partidas que vários concorrentes, do próprio grupo e das equipes adversárias, Wellington terminou o PE-08 na vice-liderança da artilharia, com 11 gols, dois a menos que o companheiro de Náutico, o meia Geraldo. Na Copa do Brasil, foram mais três gols marcados. "É o nosso artilheiro e uma referência do nosso ataque", se derrete Fernandes, que elogia a disposição e a força de Wellington.

Para o jogo de volta, nesta quarta-feira, no Mineirão, o treinador não poderá contar com seu atacante, que recebeu o cartão vermelho na partida nos Aflitos. "Claro que vai ser uma falta bastante sentida. Nenhuma equipe quer ficar sem o seu artilheiro. Mas, como o jogo deve ser disputado na base do contra-ataque, a ausência não será tão grande", afirmou Fernandes.

Nenhum comentário: