Texto escrito por Sérgio Xavier retirado do site da Revista Placar
"Libertadores da América, Copa do Brasil, que delícia. Duas competições que, por sua imprevisibilidade, sintetizam a imensa loteria que é um jogo de futebol. Na dinâmica do esporte, uma atrasada equivocada, um pombo-sem-asa, um lance bobo pode fazer que o time ruim supere o time bom. Na competição mata-mata é assim também, o campeão nem costuma ser o melhor. Aqui não vai nenhuma campanha contra os pontos-corridos, há lugar para todos os formatos em nossos corações. O Campeonato Brasileiro é justo, previsível no sentido de premiar o melhor, agradável, traz felicidade para quem gosta do esporte. É como a esposa, os filhos, o cachorro buscando o osso no gramado, a sopa fumegante na mesa do jantar, um verdadeiro anúncio de previdência privada. A Copa do Brasil e a Libertadores são as amantes, a noite sem freio, a birita, a balada, a conquista inesperada no apagar das luzes, o cano imprevisto no galanteio que parecia assegurado.
Tanto devaneio para falar da rodada de Copa do Brasil e Libertadores dessa quarta-feira. De tirar o fôlego. Tudo o que parecia não era. O Santos, por exemplo. Começou amassando um Cúcuta que viajou ao Brasil para cumprir tabela. Deveria ser questão de minutos, mas um gol colombiano de falta mudou o curso das coisas. O Santos entrou em parafuso e parecia que não ia dar. E deu. Com gol do perna-de-pau argentino. Trípode, logo ele.

Aos poucos, o esforçado Santos começa a ameaçar as grandes equipes
O Corinthians viu tudo preto quando o Goiás fez 2 x 0. A vida clareou com o gol de Diogo Rincón, um 1 x 2 é sempre reversível pelo regulamento da Copa do Brasil. E tudo ficou novamentre turvo com o terceiro gol goiano. O Vasco já aceitava a condenação de um 0 x 0 em casa contra o Criciúma até o gol de pênalti salvador no finalzinho. No Canindé, ora parecia que era Botafogo, ora parecia que era Lusa. No final, o 1 x 1 adiou qualquer palpite mais contundente para o jogo de volta no Rio. O Inter, o grande Inter da Bergamota Mecânica, azedou. Tirar um 0 x 2 fora de casa é tarefa que poucos realizaram na história do certame.
Resumo da ópera. Na Libertadores, muito se falava de Boca, São Paulo, Flamengo e Fluminense. Pode dar Santos, mais ruinzinho que qualquer um deles. Efeito Once Caldas, efeito Grêmio no ano passado. Na Copa do Brasil, justamente o favorito Grêmio já habita na terra dos pés-juntos. Inter e Corinthians se encaminham para lá. O Palmeiras, outro favorito, ainda sobrevive, mas pode dar Vasco, provavelmente o pior time dos 12 grandes clubes do país. Ou Goiás, São Caetano, Atlético-GO. A Copa do Brasil é como uma noite insana. Nunca sabemos ao certo onde vamos acordar."
Brenno Costa

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