quinta-feira, 17 de abril de 2008

"Onde os fracos têm vez"

Texto escrito por Sérgio Xavier retirado do site da Revista Placar



"Libertadores da América, Copa do Brasil, que delícia. Duas competições que, por sua imprevisibilidade, sintetizam a imensa loteria que é um jogo de futebol. Na dinâmica do esporte, uma atrasada equivocada, um pombo-sem-asa, um lance bobo pode fazer que o time ruim supere o time bom. Na competição mata-mata é assim também, o campeão nem costuma ser o melhor. Aqui não vai nenhuma campanha contra os pontos-corridos, há lugar para todos os formatos em nossos corações. O Campeonato Brasileiro é justo, previsível no sentido de premiar o melhor, agradável, traz felicidade para quem gosta do esporte. É como a esposa, os filhos, o cachorro buscando o osso no gramado, a sopa fumegante na mesa do jantar, um verdadeiro anúncio de previdência privada. A Copa do Brasil e a Libertadores são as amantes, a noite sem freio, a birita, a balada, a conquista inesperada no apagar das luzes, o cano imprevisto no galanteio que parecia assegurado.


Tanto devaneio para falar da rodada de Copa do Brasil e Libertadores dessa quarta-feira. De tirar o fôlego. Tudo o que parecia não era. O Santos, por exemplo. Começou amassando um Cúcuta que viajou ao Brasil para cumprir tabela. Deveria ser questão de minutos, mas um gol colombiano de falta mudou o curso das coisas. O Santos entrou em parafuso e parecia que não ia dar. E deu. Com gol do perna-de-pau argentino. Trípode, logo ele.

Aos poucos, o esforçado Santos começa a ameaçar as grandes equipes

O Corinthians viu tudo preto quando o Goiás fez 2 x 0. A vida clareou com o gol de Diogo Rincón, um 1 x 2 é sempre reversível pelo regulamento da Copa do Brasil. E tudo ficou novamentre turvo com o terceiro gol goiano. O Vasco já aceitava a condenação de um 0 x 0 em casa contra o Criciúma até o gol de pênalti salvador no finalzinho. No Canindé, ora parecia que era Botafogo, ora parecia que era Lusa. No final, o 1 x 1 adiou qualquer palpite mais contundente para o jogo de volta no Rio. O Inter, o grande Inter da Bergamota Mecânica, azedou. Tirar um 0 x 2 fora de casa é tarefa que poucos realizaram na história do certame.


Resumo da ópera. Na Libertadores, muito se falava de Boca, São Paulo, Flamengo e Fluminense. Pode dar Santos, mais ruinzinho que qualquer um deles. Efeito Once Caldas, efeito Grêmio no ano passado. Na Copa do Brasil, justamente o favorito Grêmio já habita na terra dos pés-juntos. Inter e Corinthians se encaminham para lá. O Palmeiras, outro favorito, ainda sobrevive, mas pode dar Vasco, provavelmente o pior time dos 12 grandes clubes do país. Ou Goiás, São Caetano, Atlético-GO. A Copa do Brasil é como uma noite insana. Nunca sabemos ao certo onde vamos acordar."


Brenno Costa

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