Quando o treinador do Náutico revelou que o time atuaria com jogadores reservas nas primeiras rodadas, começaram a chover críticas. Roberto Fernandes estava mais do que certo. Quinze dias para preparar um elenco para uma temporada longa não é suficiente. Além disso, havia os rotineiros problemas para regularizar os atletas. Os resultados negativos nas primeiras rodadas forçaram Roberto Fernandes a escalar as principais contratações, mesmo sem o condicionamento físico desejado pelo comandante do Timbu.Mas a atitude do técnico alvirrubro "revela" outro lado. Já se foi o tempo em que o Pernambucano era prioridade. Com uma fórmula de disputa sem lógica, que varia todos os anos praticamente, e com times horríveis, o Campeonato Pernambucano de 2008 não passa de um preparatório dos grandes clubes do Recife para as competições nacionais.
As equipes do interior são amadoras. Tudo bem que falta dinheiro e incentivo, mas estamos falando de futebol profissional. Não é aceitável escalar onze peladeiros para enfrentar um time que atua na primeira divisão do Cameponato Brasileiro.
Esse ano, os jogos são de dar sono. É chutão pra lá, chutão pra cá. Nada de criatividade, quase nenhuma jogada lúcida.
Para piorar a situação, o gramado parece um pasto. É impraticável o futebol nesses terrenos. O jogo do Sport contra o Sete de Setembro, em Granhuns, é um exemplo muito claro disso. O campo é ruim para os dois, mas, volto a afirmar, estamos falando de futebol profissional.
Além do amadorismo dos times e da estrutura oferecida aos atletas e torcedores, o Pernambucano ainda conta com os antigos erros da arbitragem. É pênalti que não tem como ser marcado, como o que Ticão teria feito na partida de ontem, falta invertida, impedimento mal marcado e por aí vai...
Dentro dos estádios, a alegria das torcidas esconde a falta de futebol e de organização
Até o Programa Todos com a Nota não escapa. A atitude é generosa. Dar lazer as camadas pobres é mais do que obrigação do Estado. O problema é que os baderneiros e cambistas fazem a festa. Tudo isso na frente das autoridades, que assistem aos jogos no conforto dos camarotes e vão à televisão elogiar o programa. Fora dos estádios sempre há confusão, e dentro deles as brigas, que eram raras, tornaram-se constantes.
Com todos esses problemas, não há como dizer que o Campeonato Pernambucano é de grande importância para os clubes do Recife. A única coisa que restou, infelizmente, foi a tradição.
Brenno Costa
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