Coitado do Grêmio! Sonhou com Diego Souza e acordou com Roger.
Faço das palavras do jornalista Sérgio Xavier Filho as minhas.
Roger se apresenta ao Grêmio. Enfim, algum clube aceitou a batata quente.
"Escrevi isso sobre Roger ano passado, na revista. Ele estava no Flamengo, agora foi contratado pelo Grêmio. Acho que segue valendo...
"Dá até um certo desânimo ver a ficha de Roger Galera Flores no Guia do Brasileirão da Placar. 131 jogos, 22 gols. Números ridículos para um meia que não marca e que, em tese, possui um chute de canhota acima da média. Em tese mesmo, porque, na prática, marcar um gol a cada seis jogos é inaceitável. Já é possível dizer que, aos 29 anos, Roger jogou sua carreira no lixo. Não cumpriu o que prometia. Em um país que perde seus principais talentos na primeira gestação, Roger poderia ter sido grande no Fluminense, Corinthians ou Flamengo, para não dizer na Seleção Brasileira. Da camisa amarela, aliás, a lembrança mais forte foi a peitada que levou do zagueiro Lúcio depois de uma discussão nas Olimpíadas de Sydney. Na época, muitos deram razão para o meia que sofreu a truculência do companheiro. O tempo deu razão a Lúcio.
Roger Galera Flores não aconteceu porque não quis. Não há técnicos vilões, não foram lesões cruéis que abortaram sua carreira. Roger foi, sim, vitimado pela preguiça e pelo conforto dos ótimos salários. Seu comprometimento com as camisas que vestiu foi sempre declinante. Chegada com banda de música, estréias esforçadas, jogos medianos na seqüência, pequenas lesões, cartões e recolhimento. Não no vestiário, bem entendido. Nos bons restaurantes, nos shows do Canecão, na praia. E sempre bem acompanhado.
A menor crise do clube, Roger sempre tirou o time de campo. O dirigente corintiano Kia Jorabichan quase quebrou o pé chutando uma cadeira depois de ver Roger botar um pênalti na lua e desclassificar o Corinthians da Copa de Brasil. “Ele fez por querer”, disse o iraniano cheio de sotaque. Só Roger sabe se isso é verdade. Roger é habilidoso também com as palavras e entendeu, como poucos, o funcionamento da mídia. Aprendeu que não se briga com a imprensa. No clássico contra o Fluminense, cavou dois amarelos quando a partida estava encrespando. Deixou o time na mão, com dois a menos. Por sorte e competência dos outros nove, o Flamengo venceu. Nas entrevistas, exaltou os companheiros e se desculpou dizendo que a culpa era do juiz. Elogiou a torcida e conseguiu alguns dias a mais de folga no Rio. Enquanto o resto do time enfrentava o Palmeiras em São Paulo, Roger recolhia-se em sua suspensão automática. E assim os anos vão passando, assim Roger Galera Flores vai levando a vida."
Texto publicado no site da Revista Placar por Sérgio Xavier Filho
Brenno Costa
www.blogandobola.blogspot.com

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