quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Rivalidade Burra



Que Pernambuco é um estado forte no Brasil, isso não resta dúvida. A cultura é extraodinária. Tudo que está espalhado pelo mundo está presente aqui, só que ainda há o frevo, o maracatu, carnaval popular, caboclinho, etc. E no futebol... no futebol está um grande problema. Os três clubes da capital possuem grandes torcidas e dois estão na primeira divisão. Aí você conclui que Pernambuco também é forte no futebol. Pode até ser verdade. Estamos na frente do Maranhão, Piauí, Mato Grosso, Acre, Paraíba, Espírito Santo, Roraima... Mas isso quer dizer alguma coisa?

Em vez de aproveitar o cenário favorável para o desenvolvimento do futebol pernambucano, já que vem a Copa do Mundo de 2014 e dois times estão na elite, Sport, Santa Cruz e Náutico preferem se alimentar de uma rivalidade inútil. Uns se gabam de ser Tri-Super Campeão, outros morrem dizendo que "Hexa é luxo", sem sequer ter visto tal fato, e alguns enxem a boca para falar de um título brasileiro questionado por muitos, mesmo que esses questionamentos sejam infundados.

No lugar de reconhecer os méritos de uns, é preferível "diminuir" a conquista dos outros. Tomemos como exemplo o título de 1987 do Sport. Está tudo preto no branco, mas a torcida do Náutico e do Santa preferem negá-lo. Por quê? Porque é mais fácil fazer isso do que se estruturar e igualar tal feito.

A nossa rivalidade consiste em tirar sarro da desgraça dos outros. O prazer se encontra quando um é rebaixado de divisão ou goleado, em vez de brigar por títulos ou pela melhor estrutura do clube.

Os três estádios estão em péssimas condições. Quando há um centro de treinamento, ele é primitivo. Não existe uma categoria de base eficiente, que sirva de renda para o clube... Enfim, são inúmeros problemas.

Devíamos nos espelhar em exemplos de clubes que estão longe do foco da mídia, mas que não usam isso como desculpa para o amadorismo do futebol. Grêmio e Internacional são modelos excelentes. A grandeza de um, impulsiona a do outro. Ambos são campeões brasileiros, da Libertadores e do Mundial de Clubes. Só o Grêmio tem quatro Copas do Brasil (1989, 93, 97 e 2001). Se quando o Tricolor Gaúcho estava na sengundona, o Inter fez uma excelente campanha no Brasileiro, que garantiu vaga na Libertadores e culminou com o Mundial de Clubes de 2006. No mesmo ano, o Grêmio subiu de divisão, garantiu vaga na Libertores desse ano e só perdeu na final para o Boca de Riquelme.

E como estavam as coisas por aqui? Dois clubes conseguiram o acesso á Série A e o Santa ficou na mesma. Que diferença, hein?!

Ainda há outro exemplo no Paraná, só que esse é com relação à estrutura. O Atlético-PR construiu a Arena da Baixada. Estádio que faz inveja a maioria das torcidas brasileiras. E o Paraná e Coritiba não ficaram para trás. O Coxa Branca reformou o Couto Pereira e o Paraná reformou toda a Vila Capanema para a disputa da Libertadores.


Estádios do Atlético-PR, Coritiba e Paraná



E, mais uma vez, como estávamos aqui? Os torcedores sentados no concreto, os banheiros dos estádios nojentos, as arquibancadas cheias de infiltrações e tantos outros problemas.


Com isso, fica bem claro que a nossa mentalidade é bem pequena. Por mais que as condições sejam favoráveis, persistimos no atraso. Desse jeito, as torcidas vão se alimentar de falsas esperanças por muito, mais muito tempo.



Brenno Costa
www.blogandobola.blogspot.com

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