Certa vez, já na reta final deste Campeonato Brasileiro, o jornalista da ESPN Brasil, Mauro Cézar Pereira, comentou que o Corinthians havia vendido sua alma ao diabo. Fechou um acordo nebuloso com a MSI, uma empresa tão suspeita quanto a origem do dinheiro que a mesma possui, no qual a própria empresa investiria quantias exorbitantes no departamento de futebol do Corinthians. Estrelas (para os padrões Sul-americanos, é claro) como Carlitos Tevez, Carlos Alberto, Gustavo Nery, Nilmar, Mascherano e Roger foram trazidos com a grana da MSI, algo impensável para o nível financeiro do futebol brasileiro. Pois bem, o demônio veio pegar sua dívida, e ela vai ser paga com uma passagem do clube pela Série B do Campeonato Brasileiro.No começo, tudo foi festa. Os dirigentes não se opuseram a nenhuma medida tomada pela empresa, a torcida se iludiu jurando ter ganho na loteria, e alguns jornalistas entraram no clima de festa que assolou o território corinthiano. Um dos piores Campenonatos Brasileiros foi realizado em 2005. Ruim não pelo nível técnico, mas sim pelo escândalo Edílson Pereira de Carvalho. O até então árbitro, denunciou um esquema de manipulação de jogos que fez com que a CBF anulasse 11 partidas do torneio, que intencionalmente ou não, acabaram bebeficiando o Corinthians, que sagrou-se campeão daquele ano após mais um capítulo que manchou aquele campenato. Na penúltima rodada, Corinthians e Internacional, líder e vice-líder respectivamente, se enfrentaram em São Paulo no jogo que foi considerado a 'final do campeonato'. O placar apontava 1x1 após os 30 minutos do segundo tempo, quando o meio-campista Tinga, da equipe gaúcha, sofreu um pênalti claríssimo do goleiro Fábio Costa. Porém, o árbitro Márcio Rezende de Freitas não só ignorou a infração, como expulsou o jogador pelo mesmo ter praticado "simulação" no lance. O próprio juiz afirmou ter errado após o jogo, mas aí já era tarde demais e o Internacional se sentiu injustiçado, com razão, e ficou com aquele grito de campeão entalado na garganta.
Tempos mais tarde, já de ressaca pelo "título", a direção brigou fatalmente com Kia Joorabchian, o representante da MSI no Brasil, por disputa de poder. O iraniano, e, conseqëntemente, a empresa, cortaram relações com o clube, deixando uma verdadeira 'batata-quente' nas mãos da direção alvi-negra, que acumulou dívidas não pagas pela parceira. Com isso, o Corinthians afundou-se numa crisa que parecia não ter fim. Pois o inexplicável aconteceu e o Corinthians foi mesmo rebaixado, pondo fim às teorias conspiratórias que tanto foram comentadas no meio do futebol, como se algo "sobrenatural" não fosse deixar a equipe cair.
A queda do Timão
Não dá para escolher outro culpado maior que a direção do clube, não excluindo alguns outros responsáveis como o técnico Nelsinho Baptista ou jogadores descompromissados como Vampeta e Gustavo Nery, mas criar toda essa confusão e trazer jogadores extremamente desqualificados, fazem da direção corinthiana o alvo maior da fúria da torcida. Não dá para retirar um ótimo futebol de jogadores meia-boca, como Iran, Fábio Braz, Aílton e Clodoaldo, mas, pior que isso, é jogar a responsabilidade nas costas de jovens, com algum talento e nada a mais, diga-se de passagem, como Lulinha e Bruno Bonfim. Eleger esses inexperientes garotos como salvadores da pátria foi um dos maiores pecados cometidos pelo clube. Poucos se salvaram, como Finazzi, Zelão e o goleiro Felipe, o grande destaque do time no campeonato. O Coritnthians, assim como o rival São Paulo, vai servir de exemplo para todos. O tricolor deve ser o modelo a ser copiado, já o alvinegro espelhou tudo aquilo que não deve se fazer quando se comanda um clube.
Pois é, a tragédia já aconteceu e não tem mais volta. O Coritnthians realmente caiu, quem perde é a imensa nação corinthiana, perde também a Rede Globo, em termos de audiência, mas ganha-se a justiça e o futebol, e que casos como os do Palmeiras, Atlético-MG, Grêmio e outros tantos que já passaram pela Série B, sirvam de exemplo para que o clube tire o pé da lama, mas antes, será preciso varrer toda a sujeira que assolou o departamento de futebol do clube. Não é o fim do mundo.

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