terça-feira, 17 de julho de 2007

Contra tudo e contra todos. Ele nos calou. Mais uma vez.


E ele nos calou. Dunga, de novo, calou o Brasil, desta vez como técnico. O mesmo ele já havia feito em 1994, quando foi o capitão desacreditado, da desacreditada seleção do tetra. Gostando ou não, a grande figura desta seleção campeã da Copa América '07 não foi Robinho, ou Doni, ou Juan, mas sim, o técnico gaúcho. Ele sempre foi o alvo preferido dos jornalistas, comentaristas e cronistas esportivos ou não.

Desde o momento em que assumiu a seleção, Dunga foi duramente criticado, foi criticado por aceitar os "amistosos" esdrúxulos que só nossa seleção joga, foi criticado pelo seu vestir e também pela impressionante marca de quase cinqüenta jogadores convocados num período inferior a um ano. Também foi escorraçado pela maneira como se referia ao belíssimo futebol da seleção de 82, do Mestre Telê, chamando aquela seleção de derrotada, e exaltou o futebol de resultados do Brasil de 94, dizendo que time bom é "aquele que é campeão". Sofreu provocações de todos os lados, pois colocava Ronaldinho Gaúcho e Kaká no banco, e quando convocava um selecionado agradável à maioria, não colocava todos os craques para jogar.

Não, Dunga não virou unanimidade, não, Dunga não virou um grande técnico pelo elástico placar imposto à favorita seleção Argentina, não, ele não virou o melhor técnico do Brasil pelo resultado alcançado na Copa América, mas ele mostrou ser corajoso o suficiente para bater de frente com uma nação grande e exigente como a nossa, o que, convenhamos, não é nada fácil de se agradar. Nenhum ser humano, em sã consciência, que acompanhe o mundo do futebol, com a seleção que tinha em mãos, deixaria Diego e/ou Anderson de fora desta equipe. Ele preferiu escalar uma improvável seleção brasileira com três volantes (algo impensável para a mídia oba-oba brasileira), com o sempre contestado Júlio Baptista como homem de ligação entre o meio e o
ataque.

Hoje fica fácil elogiar Dunga, pois, futebol se vive de resultados, mas se ele perdesse para a Argentina, por qualquer resultado, seria hoje, no Brasil inteiro, o pior técnico do mundo, mas não, ele venceu. E venceu com méritos, o Brasil foi superior à seleção "albiceleste", na final, em quase todos os quesitos, ao contrário do que ocorreu ao longo da Copa América. Por incrível que pareça, ele deu um padrão de jogo a esse time, ainda que tenha descoberto "seu time" no decorrer da competição, há de se reconhecer os méritos do treinador, ele sabe que dessa seleção, um pequeno número será titular na Copa de 2010, e sabe também que essa seleção não é nada de fantástica, nem que Maicon, Gilberto e Vágner Love são craques incontestáveis, mas esse time limitado e disciplinado (praticamente um espelho de sua carreira como jogador) tem suas qualidades e, por isso mesmo, foi capaz de derrubar a "gigante" Argentina.

Vale dizer também que Dunga poderia ser poupado de inúmeras críticas se tivesse escalado Diego ou Anderson (e é muito mais fácil e conveniente agradar a público e crítica do que a si mesmo), mas ele fez essa seleção à sua maneira, ao seu estilo, e deve-se parabenizar o técnico pelo seu feito. Parabéns Dunga!!!! Eu nunca concordei com sua seleção, e provavelmente nunca irei concordar, apesar de eu ser um dos poucos que acreditava e torcia loucamente pela vitória da "amarelinha", tenho que lhe tirar o chapéu. Obrigado por golear a Argentina mais uma vez numa final, obrigado por vencer essa Copa América, e , sobretudo, obrigado por calar a mim e ao Brasil, você demonstrou muita personalidade. Espero que continue a me calar, é bom queimar a língua, espero que você me cale de novo África do Sul em 2010, até lá Dunga!!! Abraços do seu incansável crítico.

Fernando Barros
Equipe Blogando Bola

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